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Cantinho da Flor

Para Quem Quer Qualidade de Vida

Archive for May, 2010

Olho de sogra

Vocês conhecem o docinho “olho de sogra?

Ele é uma massa feita de leite condensado e coco cozida no fogo. Após a massa ficar no ponto é feito bolinhas e o docinho é finalizado com um pedaço de ameixa seca por cima. Fica um olho e bem grande como um olho de sogra.

Devido seu nome é complicado dizer “Nossa, como eu gosto de olho de sogra!!” mas com certeza muita gente já deve ter sentido vontade de dizer isso, afinal, ele é muito gostoso. E por outro lado, quem num momento que seja não quis comer, mastigar e se deliciar  não só  com o olho da sogra, mas  com ela inteira, viva!

Para mim ele é o docinho mais exótico e mais gostoso. Todos, inclusive eu, amam brigadeiro, beijinho, cajuzinho e outros docinhos elegantes que vêm historia adentro de festinhas e eventos, mas para mim o olho de sogra é…impar, raro, enigmático, e uma oportunidade para compartilhar com o outro o que gosto e descobrir dele coisas que eu não sabia.

Explico:

Todos os docinhos são meigos, bem cuidados e o olho de sogra, bem…Ele de forma impar é quase assustador…Além de docinho ser doce, docíssimo e ele não é tão doce assim pelo gosto azedo da ameixa, acho que mais uma vez esse dá o motivo ao nome.

Responda-me quantas festas você foi e tinha o olho de sogra? Quantas padarias e confeitarias você entrou e encontrou o raro docinho? E quantas vezes você fez brigadeiro em casa e quantas vezes você fez olho de sogra em casa? Acho que suas respostas respondem o adjetivo “raro”.

E…O que o olho de uma sogra vê? O que um olho de uma sogra avalia? O olho é um portal da alma e – ai,ai, ai o que há de ter na alma de uma sogra? Experimente olhar pra o docinho, olhe bem profundamente…fixe o seu olhar…Ele vai te dizer algo!

E contextualizo que estou numa cidade bem diferente das cidades de onde cresci. Estou no norte e o norte do Brasil é muito especial e pouco comum. Aqui me deparei com poucas coisas que me lembrasse a identidade de nordestina. A música é diferente, o clima é diferente, o sutaque é diferente, não tem praia, não tem brisa e pouca rapadura…Mas estou hospedada ao lado de uma padaria que tem todos os dias, eu repito TODOS os dias uma bandeja cheia de olho de sogra para vender- Fico me perguntando se são os mesmos docinhos e que só eu compro, mas isso é outro detalhe que eu já posso justificar nas linhas acima. Mas fiquei encantada…

Poxa, eu encontrei bem do lado de onde estou hospedada algo que amo comer e me identifico muito. Eu cresci comendo rapadura e tentando encontrar olho de sogra nas festinhas e padarias de Fortaleza. Eu amo esse docinho impar e as pessoas acham isso meio estranho. Você também acha? E escolhi o olho de sogra para fazer uma coisa igualmente impar.

Compro todos os dias 6 docinho e escolho alguém para dividir. Conhecido ou desconhecido. E despretensiosamente pretendo presenteá-lo com algo que ele provavelmente nunca ganhou e ainda compartilhar um gosto exótico, nos dá um momento impar de um papo e ainda ver o quanto isso nos dá respostas de alguns enigmas da vida humana, afinal eu nunca sei o que pode ser dito por uma pessoa que come um olho de sogra. Umas delas me disse ” nossa, fazia tempo que eu não comia um docinho desse, não me lembrava que comer um olho de sogra iria me fazer tão bem, vou fazer isso mais vezes…que a minha sogra não me escute.’ Uma outra me disse mastigando o docinho “ Flor, eu tenho HIV…” – nossa, essa confissão não foi exótica, foi inesperada e chocante. Um outro ria tanto, ria tanto e me perguntou” Flor, o que você colocou nesse docinho?”.

Num outro momento sentei no banco perto da padaria. Esperei a primeira pessoa que sentasse comigo. Sentou uma mulher de seus 45 anos…Aceitou o presente, fomos comendo e ela me perguntando de onde sou, o que vim fazer por aquela cidade e ela foi falando dela, da vida dela, dos sonhos dela e já se passava mais de 1 hora que conversávamos e ela enfim me disse” Nossa conversa me deixou muito feliz, não esperava encontrar uma oportunidade de falar de mim e de ouvir alguém que eu nunca nem imagina que existia. O mundo ainda tem muita coisa boa para se viver”  e assim ela me abraçou e foi sem trocarmos telefones ou qualquer algema.

Ofereço a você um olho de sogra. Você quer?

Um docinho,

Flor Atirupa

As flores do meu jardim

Hoje estou morando no interior de Rondônia, no norte do Brasil. Moro longe da minha família, dos meus amigos e de um monte de gente que faz diferença na minha vida. Vivo numa linha tênue da solidão e da solitude.
Rubem Alves um escritor e ser humano importante na minha vida me ensinou numa crônica que escolheu uma arvore e a plantou num ponto especifico do seu jardim. Num ponto em que o vento vinha de todos os lados e tinha vista para o horizonte e deu nome a arvore em homenagem a um amigo revolucionário que viveu em busca da liberdade. Aquilo me emocionou de uma tal forma que li esse texto pra várias pessoas e uma delas resolveu fazer um pequeno jardim plantando um grupo de amigos, a qual faço parte, e isso alegrou a todos nós.
Nessa linha tênue da solidão e da solitude resolvi fazer um jardim repleto de flores que são homenagens as pessoas que amo. Meus país são um casal de papoulas… Minha mãe é uma papoula laranja cheia de energia como a guerreira que ela é. Já o meu pai é um degradê de vinho e rosa que faz a cor negra que ele tem exalar alegria e amor. Minha irmã, seu marido e seus filhos são azaléias nos tons de rosa que encantam a todos os olhos que chegam no jardim.
Assim fui plantando minhas irmãs, cada uma no seu tom. Elas florescem cada uma do seu jeito. Fui plantando meus amigos de natal, meus amigos do maranhão, meus amigos do Japão, do Canadá, de são Paulo, de Minas Gerais, inclusive, Regina, uma mineira que não para nunca, mesmo com aquele jeito manso típico do mineiro, floriu uma rosa a 10 dias e não murchou até então.
Planto um beijo branco pra uma amiga meiga, um beijo vermelho pra um amigo cheio de paixão pela vida, um casal de roseira para um casal perfeito, e assim, o meu jardim tá repleto de pessoas lindas….E me sinto acompanhada como se todos eles estivessem comigo o tempo inteiro.
O mais impressionante é que cada plantinha expressa o que está acontecendo com a respectiva pessoa. ISSO É AMOR! AMOR EM FLOR…Todos aos poucos vão se contagiando e o meu cuidado em regá-las transborda a fronteira da distância e Deus toca tudo e quando tem amor Deus uni as pessoas envolvidas.
Pouco a pouco vou revelando as flores que plantei para as pessoas homenageadas e sei o quanto todos nós ficamos felizes por estarmos pertinho um do outro mesmo quilômetros de distância de terra, ar, mar…Amanheço feliz quando penso que vou regá-las, quando vou conversar com cada uma delas e estamos sempre dispostas a nos ouvir e nos cuidar. O meu jardim é infinito…deixa meu dia mais colorido, mais belo e mais feliz.
Um abraço florido pra vocês

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